quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Manifesto de Inverno


Olá!

Confesso que há muito escrevi esta pequena crônica que estou a publicar somente hoje, mas acredito que não há período melhor para a sua publicação do que agora. Sim, agora. Com o advento do verão escaldante que está aterrorizando a todos - sobretudo no Rio de Janeiro - nada melhor do que ler palavras gélidas, porém sutis.


Manifesto de Inverno

Eis a estação mais intrigante do ano. E a mais apaixonante. O Inverno. Paisagens gélidas nos países frios, muita umidade nos tropicais. Minha paixão pelo Inverno é antiga, desde os tempos d'infância. Parece-me que os corações tornam-se mais afáveis e solidários, os entes mais queridos, os amantes mais amáveis. Há quem diga que é a estação mais cruel do ano. Eu discordo veementemente. O Verão torna os corações mais individualistas, menos afáveis, bem menos amáveis. Pelo menos na terra brasilis é isso o que eu vejo. E sinto. Não estou, pois, desconsiderando um belo dia ensolarado - tampouco diminuindo a sua importância. Deixo registrada nestas trêmulas linhas uma singela homenagem àquela que é a "grande vilã" de muitos e uma querida para poucos. Brindemos este momento com um bom capuccino e/ou numa bela mesa de fondue com vinho. Esqueçamos as individualidades e aproximemos os corações. Transformemo-nos em pessoas mais afáveis. E mais amáveis.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Em tempos políticos... Bertold Brecht.

Olá!

Diante dos acontecimentos no âmbito político do nosso país (leia-se, eleições 2010) sinto-me no dever cívico de compartilhar com todos um poema do dramaturgo alemão Bertold Brecht, um homem que por meio da sua arte (e da sua visão acerca do mundo) influenciou (e ainda influencia) toda uma geração. Leia e veja como os versos exprimem exatamente o sentimento de vários nesse momento (e eu incluo-me nessa lista). Identifique-se (ou não), concorde (ou não), mas não deixe de ler.


O Analfabeto Político


O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.


Bertold Brecht

O Blog, A Volta

Olá!

Depois de algum tempo sem postagens, o blog volta das longas férias com visual novo e energias renovadas. Na bagagem muitas experiências gratificantes e muitas impressões a compartilhar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um Passeio Inesquecível



Desde criança sempre tive o sonho de passear de balão (o de ar quente, com cestinha e tudo). Cheguei a assistir um festival de balões lá pelos idos dos anos 80 (era bem criancinha mesmo, juro) e meu encantamento iria tornar-se permanente, já que até hoje sinto a mesma emoção em vê-los partir em direção ao céu, numa viagem simplesmente inesquecível. A trilha sonora, sem dúvida alguma, é a canção I Hear You Now, da dupla Jon & Vangelis (ah, o Jon citado é aquele que foi (e ainda é) vocalista de uma banda bem fraquinha, o Yes.). Não sei porque, mas toda vez que procuro alguma informação em relação ao Balonismo (é um esporte muito cultuado, principalmente em países europeus), é sempre essa canção que surge como música de fundo tanto nas pesquisas quanto nos meus pensamentos. O video postado traduz em imagens e som exatamente o que digo com estas singelas palavras. É para curtir... E viajar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pílulas de Amor (Parte I)

"Quando duas pessoas fazem amor, não estão apenas fazendo amor, estão dando corda ao relógio do mundo".

Mario Quintana

quarta-feira, 26 de maio de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Onirismo



E finalmente ele acordou. Assustado, envolto na desorganização dos pensamentos que ainda viajavam na velocidade da luz. Sentiu ânsia de vômito, bocejou, pensou em deitar novamente. Mas não deitou. Levantou-se num súbito pulo da cama. E ela sentiu a aspereza do salto que desarrumou o lençol. Ele não permitiu sequer que ela o interpelasse - bateu a porta do quarto e saiu. Foi à cozinha, bebeu um pouco de vinho que sobrara do jantar - mais uma tentativa dela de ser a "mulher perfeita", sempre inventando jantares "temáticos" para preencher o vazio existente. Há muito ele não era o mesmo - andava tristonho, um pouco arredio, sem vontade nem mesmo de trabalhar. Descobrira que aquela relação baseava-se numa oportunidade para ela e numa fuga momentânea para ele. O mais intrigante era o universo que apresentava-se para ele diariamente nos últimos meses. Vários sonhos com a mesma pessoa - uma pessoa que o tempo transformara em passado. E esse passado não se fazia presente. A angústia tomou-lhe grande parte das horas. Enfim, flertava com o que ele acreditava ser a loucura. Passou a lembrar de momentos não vividos, fantasiando situações onde realidade e surrealismo dançavam uma valsa cujo disco estava arranhado. Vasculhou as verdadeiras e únicas lembranças - essas sim, reais. E materiais. Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia lido aquele livro e visto aquele filme. Sabia de cor todos os parágrafos e todas as falas. Mas isso não bastava. O mais desesperador era saber que aquela pessoa morava no mesmo país, no mesmo Estado. Só não moravam mais na mesma cidade. A vontade de procurá-la era incessante, porém a incerteza da resposta o amedrontava. Não saber se ela permitiria uma aproximação o entristecia de forma pungente. Enquanto ele juntava passado e presente numa tentativa de construir um universo particular, ela, na outra cidade, apagava cada vez mais qualquer resquício ligado ao seu passado. Ganhou de presente uma borracha infalível, capaz de apagar até mesmo os resquícios familiares, os mais sofríveis na opinião dela. Começo para um, dúvida para o outro. Liberdade conquistada para ela, clausura voluntária para ele. O mundo lá fora cada vez maior para ela, o universo particular cada vez mais fechado para ele. Antíteses que formavam uma dura - e crua - realidade. Ela viva. E ele, apenas sonhava.